Com marreta, padre protestou contra obra que afasta sem-tetos no bairro do Tatuapé

Vigário da Pastoral Povo da Rua afirma que política contra pessoas em situação de rua é antiga e atravessa gestões da prefeitura. Foto: Reprodução/Facebook Julio Renato Lancellotti

Arthur Gandini

O vigário episcopal da Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, Julio Lancellotti, afirmou nesta terça-feira (02) que a prefeitura tinha conhecimento de obra construída para afastar sem-tetos no bairro do Tatuapé.

Pedras foram instalados no viaduto Dom Luciano Mendes de Almeida, na avenida Salim Farah Maluf, para impedir que pessoas em situação de rua durmam no local. Nesta manhã, o padre publicou uma foto em seu perfil no Facebook com uma marreta para remover os obstáculos. "Tirando as pedras, debaixo do viaduto, a marretadas", escreveu.

Em um post na última segunda-feira (1°), o religioso já havia se queixado da situação vivida pelas pessoas de rua, agravada em meio à pandemia da Covid-19. "Peço força a Ti, Jesus, para não sucumbir neste momento tão difícil da vida", clamou.

Em entrevista à IP, Lancellotti afirma que a ação não é isolada e que a política contra pessoas em situação de rua é antiga e atravessa gestões da prefeitura. Além disso, haveria desperdício de dinheiro público ao fazer obras e depois as desfazer. "O problema é estrutural. O que chama a atenção é a improbidade administrativa", declarou.

A prefeitura afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que irá desfazer a obra, que teria sido realizada sem o conhecimento da administração Bruno Covas. O vigário, por sua vez, afirma que já tinha acompanhado a movimentação de caminhões para instalar outros obstáculos em mais locais da região.