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| Foto: Reprodução |
A morte é uma lindeza!
É dolorida, mas é linda...
A liturgia do dia da celebração dos irmãos e irmãs que já fizeram sua páscoa nos impele a certeza de que a morte não é nada mais do que a passagem (pessach em hebraico) dessa vida para a vida que não acaba. Não é uma interrupção e sim uma transformação... Nossa vida limitada é transformada no seio de Deus mãe que nos supre com seu ser.
O canto de abertura, que confesso ser um dos meus preferidos de todo o hinário litúrgico, nos presenteia com uma poesia e melodia que nos impedem de ver a morte como sinal de fim: “A morte já não mata mais, perdeu seu aguilhão fatal na luta que co’a vida travou. Venceu o príncipe da paz que em seu combate triunfal a morte derrotou!”.
Essa é a certeza do cristão. O poder de matar que a própria morte possuía já não existe, suas correntes foram quebradas pelo Cristo, o príncipe da paz, que com ela duelou e saiu vitorioso. Nas palavras do prefácio da segunda oração eucarística: “Morrendo destruiu a morte e ressurgindo deu-nos a vida.” O Cristo se entregou, aceitou morrer e morrendo a destruiu. A morte engoliu aquele que não pôde conter! Ele venceu...
A oração da coleta nos presenteia novamente com a certeza da vida eterna. A anaclese (trecho da oração onde se recorda a ação de Deus na vida do povo) dessa oração evoca a remissão do mundo pela morte e ressurreição de Jesus e lhe apresenta com o belo título de “glória dos fiéis e vida dos justos”. Reafirma nossa certeza de que a vida continuará a ser vivida no seio do próprio Deus que nos alimenta com o seu ser e que, neste mundo, nos faz peregrinos da casa eterna. A oração prossegue rogando a Deus pelos “irmãos e irmãs que, tendo professado a o mistério da ressurreição do vosso filho, mereçam alegrar-se na eterna felicidade.”. Haveria felicidade maior do que ser acolhido de volta na casa da nossa família?
Na memória dos fiéis falecidos, recordamos, também, todos aqueles e aquelas que se entregaram pelas causas do Reino de Deus. Com certeza eles e elas já se encontram na Jerusalém Celeste e ouviram de Deus “Vem, servo bom e fiel...”(Mt. 25, 21).
A maior beleza do cristianismo está no fato de o filho do homem ter ressuscitado dos mortos e, assim, ter destruído a morte.
O povo da rua de São Paulo insiste em gritar que “Entre a vida e a morte, a vida é mais forte!” e esse grito foi dado pela primeira pelo próprio Cristo, ao sair do túmulo, vivo e vitorioso mostrando que os poderes da morte não podem conter aqueles que são filhos de Deus. Assim, os esquadrões da morte não podem contar aqueles e aquelas que gritam contra essa cultura de morte que nos é imposta cada dia mais.
Haveremos todos de ressuscitar, seguindo a testemunha fiel, o vivente Jesus de Nazaré, morto pelos poderes de sua época e ressuscitado pelo poder do Espírito que ressuscita-nos a cada dia até a ressurreição final!
“Só tu, meu Deus, me traz o pão que cura a morte, o mal e a dor.
Só tu, meu Deus, me dás o pão da vida nova em teu amor!”
*Guto Godoy é artista sacro e militante da Pastoral da Juventude e das Comunidades Eclesiais de Base de São Paulo. Atualmente desenvolve trabalho pastoral na Favela de Vila Prudente.
