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| Para o cardeal, também é preciso tomar cuidado para não banalizar os símbolos. Foto: Montagem/Divulgação/Reprodução Facebook |
Por Arthur Gandini
O arcebispo metropolitano de São Paulo Dom Odilo Scherer está sendo criticado em sua página do Facebook desde a noite da última segunda-feira (8). O motivo foi comentário feito sobre a transsexual Viviany Belobini que fingiu ser crucificada durante a Parada Gay do último domingo (7) no centro de São Paulo.
"Muitas pessoas me questionaram sobre a imagem de um transexual na cruz durante a Parada Gay. Entendo que quem sofre se sente como Jesus na cruz", afirmou o cardeal. "Mas é preciso cuidar para não banalizar ou usar de maneira irreverente símbolos religiosos, em respeito à sensibilidade religiosa das pessoas. Se queremos respeito, devemos respeitar", concluiu Dom Odilo.
Por volta das 11h30 desta terça-feira (9), a publicação já havia sido curtida por mais de 2 mil pessoas.
"Se a Igreja Católica, que eu amo de paixão, continuar como tatu se escondendo e não se impondo, não vejo outra alternativa a não ser seguir o (pastor) Malafaia", ameaçou o fiel Jhonny Grilo. "Ele sim representa os cristãos", afirmou.
A polêmica se iniciou no domingo à noite, após a parada LGBT, quando o pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC) criticou a foto também na rede social. "Imagens que chocam, agridem e machucam. Isto pode? É liberdade de expressão, dizem eles."
Internautas também comentaram a publicação. "Deus é amor, mas também é justiça! E ai de quem cair na mão do Deus vivo", afirmou Nathan Henrique.
Houve quem também defendesse a manifestação. "E se eu não for católico? E se a cruz não significar nada pra mim? O estado é laico, você não tem o direito de dizer o que eu posso ou não fazer, me poupe querido", afirmou Gabriel Domingues.
Protesto
Em entrevista ao Portal G1 na última segunda, Viviany, que é espírita, afirmou que teve o objetivo com o seu ato de representar a perseguição sofrida pela comunidade LGBT. "Nunca tive a intenção de atacar a igreja. A ideia era, mesmo, protestar contra a homofobia", disse.
Para o educador social e militante católico LGBT, Lula Ramires, é "sintomático" o fato de símbolos religiosos serem ressignificados na Parada Gay. "Não é novidade para ninguém que as religiões - praticamente todas em maior ou menor medida - contribuem para a estigmatização e discriminação dos homossexuais", criticou. "É um grito que pede por socorro em meio a um mundo que fala de Deus, mas que não tem nenhuma compaixão pelos que sofrem."
Para Ramires, entretanto, também é preciso ter noção das consequências e dos efeitos provocados pelas manifestações. "Será que estes manifestantes estão cientes dos efeitos que suas mensagens podem provocar? Não vejo blasfêmia na cena da transexual que se auto-flagela pregando-se numa cruz", disse.
Para Ramires, entretanto, também é preciso ter noção das consequências e dos efeitos provocados pelas manifestações. "Será que estes manifestantes estão cientes dos efeitos que suas mensagens podem provocar? Não vejo blasfêmia na cena da transexual que se auto-flagela pregando-se numa cruz", disse.
Segundo a assessoria de imprensa da Arquidiocese de São Paulo, o arcebispo não irá se manifestar sobre o assunto além do comentário feito em sua página pessoal.
