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| Segundo Lancellotti, crise hídrica é outro problema que tem se discutido. Foto: Thiago Fuschini |
Por Thiago Fuschini
O vigário da Pastoral do Povo da Rua, Julio Lancellotti, se reuniu na tarde desta quinta-feira (23) com a prefeitura para discutir um plano de como atender os cerca de 15 mil sem-teto durante o período do inverno, que começa em 21 de junho.
O encontro na sede da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, que fica no centro da cidade, foi o primeiro de outros que deverão ocorrer para debater o assunto com representantes do poder público municipal e outras entidades que atendem a população de rua. Entretanto, não foi definido nenhum plano ou data para uma próxima conversa.
Foi discutida a atualização do Decreto 42.119, de 19 de junho de 2002, que criou as regras para o atendimento à população em situação de rua em São Paulo, durante o inverno.
O debate sobre que tipo de atividade emergencial será desenvolvida contou com diversas sugestões apresentadas por representantes das entidades que atuam diariamente com os moradores de rua.
A Pastoral reivindiou a imediata retirada da GCM (Guarda Civil Metropolitana) do atendimento às pessoas em situação de rua, uma vez que a corporação seria diretamente responsável por diversas violações de direitos humanos e atos de violência contra moradores de rua, segundo a entidade tem denunciado nos últimos dias.
Também foi requerida a criação na cidade de locais de atendimento emergencial, já que os abrigos mantidos pela Prefeitura e as entidades que assistem ao povo da rua trabalham acima de sua capacidade e não podem ampliar o número de vagas.
Uma terceira reivindicação ainda pediu que seja humanizado o sistema de atendimento uma vez que, de acordo com os representantes das entidades, serviços municipais como o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) não atendem à população em situação de rua muitas vezes.
Segundo o também pároco da igreja São Miguel Arcanjo na Região Belém, Julio Lancellotti, é importante que o trabalho emergencial no inverno seja coordenado pela Defesa Civil e não por outro órgão municipal.
“Além dos problemas que a população em situação de rua normalmente enfrenta durante o inverno, com as baixas temperaturas, o que causa o risco de hipotermia, temos neste ano ainda a questão da crise hídrica, que afeta várias entidades que atendem aos que vivem nas ruas de São Paulo. Muitas estão sem água, o que aumenta a insalubridade e afeta todo o atendimento”, disse Lancelotti.
A Pastoral irá distribuir garrafas de água e alimentos a sem-teto na missa mensal da Cracolândia no domingo (26), às 15h, no cruzamento das ruas Helvetia e Dino Bueno. A ajuda foi preparada pela entidade Toca de Assis.
Também estiveram presentes na reunião de hoje as entidades Fraternidade O Caminho, Comunidade Voz dos Pobres e o Catso (Coletivo Autônomo dos Trabalhadores Sociais) e a coordenadora de políticas para a população de rua da Secretaria de Direitos Humanos, Luana Bottini.
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