Da Redação
O governo turno, por meio de nota divulgada nesta segunda-feira (13), chamou de "calúnia" declaração dada pelo Papa Francisco. As informações são da agência Ansa.
O pontífice celebrou missa ontem para relembrar o massacre de armênios no país que ocorreu entre os anos de 1915 e 1916. Chamado de "martírio armênio", referiu-se a ele como "genocídio", o que não é aceito pela Turquia.
O embaixador do Vaticano no país, Antonio Lucibello, foi convocado pelo governo a dar explicações sobre a declaração.
"O genocídio é um conceito jurídico e as reivindicações atuais não satisfazem os pré-requisitos da lei, mesmo que sejam baseadas em uma convicção amplamente difusa, isso é uma calúnia", disse a nota.
O texto seguiu dizendo que Francisco contrariou declarações anteriores em favor da paz no mundo.
"Fez uma discriminação entre o sofrimento, enfatizando só o sofrimento cristão, dos armênios. Com um ponto de vista seletivo, ignorou as tragédias que atingiram o povo turco e muçulmano que perderam suas vidas durante a Primeira Guerra Mundial", disse a nota do governo.
O Papa afirmou, em missa na manhã de hoje, que a Igreja deve ter "franqueza" e a "coragem cristã" de "dizer as coisas com liberdade".
Também sem citar a nota do governo turco, utilizou os atos dos apóstolos Pedro e João para dizer que um cristão "não pode ficar quieto sobre as coisas que vê e escuta".
Entenda o caso
O povo armênio foi martirizado ou exilado pelo Império Turco Otomano como uma forma de reprimir a sua cultura. Mais de um milhão e meio de pessoas foram perseguidas pelo partido "Jovens Turcos".
A celebração de ontem relembrou o acontecimento histórico e concedeu o título de Doutor da Igreja a São Gregório de Narek (950-1005), considerado o primeiro grande poeta da Armênia, além de um importante escritor da literatura cristã.
"A nossa humanidade viu no século passado três grandes tragédias: a primeira, aquela que vem comumente lembrada como o primeiro genocídio do século XX, essa atingiu o vosso povo armênio, primeira nação cristã", disse Francisco.
"As outras duas foram perpetradas pelo nazismo e pelo stalinismo e, mais recentemente, os extermínios em massa que ocorreram no Camboja, Ruanda, Burundi e Bósnia. Parece que a humanidade não para de derramar sangue inocente", lamentou. A convocação do embaixador foi contada pelo próprio Lucibello à agência Ansa.
O papa já havia declarado recentemente que a Igreja Católica Romana e a da Armênia são unidas por um "ecumenismo de sangue".
A Catedral da Sé irá celebrar missa em maio em memória do que também chama de "genocídio armênio", mas não é reconhecido pelo governo tuco.
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