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| Dom Julio está participando da 53ª Assembleia Geral da entidade. Foto: Reprodução/Facebook |
Por Arthur Gandini
Atualizado em 18/04/2015 - 19:18
O bispo auxiliar da Região Lapa, Dom Julio Endi Akamine, discutiu pelo Facebook na última sexta-feira (17) com internauta. Fiel fez comentário na rede social em que acusava a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) de apoiar reforma "bolivariana".
"Ferradura. .......cnbb......ong a serviço dp [sic] PT", comentou o internauta Fernando Henrique em fotos da 53ª Assembleia Geral da CNBB em Aparecida, iniciada na última quarta-feira (15) com a participação de religiosos do país.
O bispo auxiliar da Lapa respondeu a acusação com a mensagem "Comentário injusto!", mas a conversa continuou.
"A cnbb não é Igreja, de fato é uma ong fundada por um comunista. Segundo que a cnbb está sim apoiando a famigerada reforma política bolivariana que esses benfeitores do PT estão querendo", afirmou o internauta.
O fiel também afirmou que a Igreja apoia a Teologia da Libertação e Dom Julio respondeu que elementos da corrente teológica já foram condenados pelo Vaticano e que a igreja é apartidária, mas deve participar da sociedade. O último comentário do internauta permaneceu sem resposta.
Entenda a polêmica
A CNBB, atualmente, apoia uma reforma política que torne proibidas o financiamento de campanhas eleitorais como as empresas envolvidas na Operação Lava Jato.
A entidade teve como primeiro secretário-geral o ex-arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, que recentemente ganhou do Vaticano o título de "Servo de Deus" e que era chamado comunista.
"Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista", dizia o arcebispo.
Também era ligado à "Teologia da Libertação", de caráter anticapitalista e condenada nos anos 80 pelo então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger, por conter elementos marxistas.
Já o pontífice atual, Papa Francisco, tem feito declarações preocupadas com a pobreza e contrárias a desigualdade do capitalismo.
Francisco também se aproximou de um dos religiosos condenados pela antiga Santa Inquisição, Leonardo Boff, ao lhe pedir ajuda para terminar encíclica sobre o meio ambiente, ainda não lançada.
A reportagem tentou, sem sucesso até o momento, entrar em contato com o bispo da Lapa. Horas depois do ocorrido, Dom Julio compartilhou mensagem de Fulton Sheen, arcebispo estadunidense mencionado pelo internauta.
Também compartilhou mensagem que dizia ser "mais fácil acreditar numa mentira que se ouve mil vezes do que numa verdade que nunca ouvimos."
"Todo cuidado é pouco, principalmente aqui no Facebook", completou o bispo.
Já o internauta, que respondeu solicitação de amizade da reportagem questionando se o repórter seria seu conhecido ou "petista", não quis comentar o caso.
Confira a íntegra da conversa na rede social:
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