Arcebispo de El Salvador, defensor dos pobres, foi morto por exército em 1980

Romero deve ser beatificado em maio pelo Papa.
Imagem: Giobanny Ascencio y Raul Lemus
Da Redação

O assassinato do arcebispo de San Salvador, Dom Oscar Romero, completa 35 anos nesta terça-feira (24).

Dom Romero era famoso por seguir a Teologia da Libertação na Igreja Católica, voltada para os pobres e anticapitalista, e era comparado a figuras como Mahatma Gandhi e a Martin Luther King. O bispo foi alvejado por um atirador de elite do exército do país enquanto celebrava missa em espanhol.

A Igreja Católica também comemora, devido a data do martírio, o 23º Dia Mundial de Oração e Jejum pelos Missionários Mártires. O acontecimento começou a ser celebrado em 1993 por iniciativa do Movimento Juvenil Missionário das Obras Pontifícias Missionárias de Itália. O tema deste ano é "Sob o Sinal da Cruz".

A Assembleia Geral das Nações Unidas ainda instituiu em 2010, na data, o Dia Internacional pelo Direito à Verdade acerca das Graves Violações dos Direitos Humanos e à Dignidade das Vítimas. O martírio de Oscar Romero, na época, recebeu manifestações de repúdio pelo mundo e resultou pressão contra o regime ditatorial de El Salvador.

O arcebispo emérito da Prelazia de São Félix do Araraguaia (MT), D. Pedro Casaldáliga, também teve mensagem publicada nas redes sociais na véspera do aniversário do martírio.

"Foi crescendo e superando incompreensões e ameaças dentro e fora da Igreja. E se constituiu numa testemunha integral como exemplo de compromisso com todas as causas da vida, da Justiça, da paz e da Libertação", afirmou o bispo.

 A Casa de Oração do Povo de Rua, em São Paulo, irá realizar no sábado (28) celebração pela data do martírio.

O Papa Francisco anunciou no último mês de fevereiro que Dom Romero será tornado beato. A beatificação está prevista para acontecer em 23 de maio.

Histórico

Segundo a agência de notícias do Vaticano, 1062 agentes pastorais católico romanos perderam a vida “de modo violento” nos últimos 24 anos. No genocídio de 1994 na Ruanda, 1.062 foram mortos.

Em 2014, 26 missionários foram mortos, entre sacerdotes, religiosas, um seminarista e um leigo. O maior número foi no continente americano, de 14 pessoas.